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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Estação Carandiru


Dráuzio Varella, médico cancerologista paulista, iniciou em 1989 um trabalho voluntário de prevenção à AIDS na Casa de Detenção de São Paulo, na época, o maior presídio do Brasil, situado no bairro do Carandiru e que abrigava mais de 7200 presos. O conjunto presidiário era formado por nove pavilhões, cada um com cinco andares. Suas celas tinham portas maciças e só se sabia o que passava atrás delas quando as abria.

Complexo Prisional do Carandiru
Por sua experiência vivida neste local como médico, ele escreveu um grande sucesso editorial brasileiro “Estação Carandiru”. Neste livro, o autor relata suas experiências pessoais, fruto do relacionamento com presos e funcionários e se dispõe a tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada propícias à manifestação das individualidades.
Dráuzio Varella descreve no livro mais os aspectos sociológicos do que os propriamente ligados à área médica. Seu trabalho de pesquisa de prevenção à AIDS deu–lhe a oportunidade de conhecer um lugar povoado de maldade onde não se conhece, muitas vezes, a verdade. A vida dentro da Penitenciária do Carandiru caracteriza–se como um mundo diferente, dentro do mundo ocupado pelos cidadãos livres.

Superlotação foi a razão da rebelião
Ali existiam normas que deviam ser cumpridas por força da segurança e da lei, entre outras formuladas pelos presidiários, que exigiam que fossem cumpridas. Qualquer descumprimento com as regras eram castigadas com espancamentos e dependendo do caso, até com a pena de morte. Os prisioneiros eram ao mesmo tempo seus próprios juízes e algozes tendo como base as leis por eles mesmos estabelecidas.
Cada pavilhão tinha sua clientela especifica. O critério da distribuição obedecia às regras básicas. Por exemplo, quem praticava o estupro era encaminhado para o Pavilhão Cinco, os reincidentes no oito e os réus primários no Pavilhão Nove. Os presos com diploma universitários, que eram raros, moravam em celas individuais no Pavilhão Quatro, que era o local com mais privilégios dentro daquele enorme complexo prisional..

Um dos pavilhões do presidio
O pavilhão cinco era o mais lotado da cadeia. Moravam ali 1.600 homens, o triplo do que era recomendado para uma cadeia inteira. Ali habitavam os presos integrantes da faxina da penitenciaria. Eram os encarregados da limpeza geral e da distribuição de refeições. No quarto andar ficavam os presos que foram expulsos dos outros pavilhões devido a maus procedimentos ou derrota em disputas pessoais, além de outros estupradores e justiceiros. O que mais chamava atenção neste andar era a presença dos travestis com as maçãs do rosto infladas de silicone, calças agarradas e andar rebolado.
O livro retrata ainda em detalhes um dos episódios mais violentos do Governo do Estado de São Paulo, quando o Governado Fleury, autoriza a invasão do presídio por tropas policiais e este episódio triste da historia fico conhecido como O Massacre do Carandiru.
Numa sexta feira, do mês de outubro de 1992, começou uma rebelião no Pavilhão Nove. As quinze horas deste dia, policiais entraram na Detenção com metralhadoras, cães e escopetas. O Governador Fleury Filho qualificou a operação como uma ação policial para combater briga de quadrilhas. Nesta operação, de uma forma cruel, cento e onze detentos foram mortos pela Policia.

Tropa de Choque
O ambiente na cadeia é como uma panela de pressão, quando explode é impossível conter. O ataque foi desfechado com precisão militar, rápido e letal. A violência da ação não deu chance de defesa para os presos. Trinta minutos depois da invasão ouviram-se gritos de “Para! Já chega! Acabou!” Uma, após outra, as metralhadoras foram silenciando. Após os tiros caiu um silencio de morte nas galerias. Os carros da polícia e do IML transportaram os mortos, até tarde da noite. Nas celas o ambiente era trágico. Dadá, um preso evangélico que sobreviveu ao massacre abriu a Bíblia e leu chorando como criança com o trecho: “Mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido, nada chegará à tua tenda” Salmo 91


Mortos no Massacre do Carandiru
Sem qualquer condição de cumprir sua função social, o completo da Penitenciaria do Carandiru, que foi construído para abrigar 3500 presos, chegou a abrigar mais de 9000 detentos. O local era imagem vergonhosa da grave crise do sistema prisional em São Paulo. Era impossível continuar como estava e decisões governamentais foram tomadas. Novas penitenciarias foram construídas no Interior do Estado, a população carcerária foi dividida entre as novas unidades e aquele inferno localizado praticamente no centro da maior cidade do Brasil, foi finalmente desativado.

Mega Biblioteca construida no local dos presidios
Parte da construção foi implodido em 2002. Apenas alguns prédios foram deixados para a administração publica, senão com este objetivo, mas como uma lembrança de um momento para ser esquecido pelo povo paulistano.


O sucesso do livro “Estação Carandiru” foi tanto que sua historia foi retratada no cinema, com o filme que teve o mesmo nome, que é até hoje, um dos maiores feitos do cinema brasileiro.

Simplesmente uma obra extraordinária.

 
Fotos obtidas pela Internet

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

E a Portuguesa voltou!

Eu confesso ser torcedor do São Paulo. É uma tradição da família, que começou com meu tataravô Francisco, que herdou para meu bisavô Luis(Zebra), para meu avô Luis Antonio, para meu pai Evandro e agora sou eu o porta voz do time do meu coração, o Tricolor do Morumbi.
Provalvemente, alguns dos meus amigos mais próximos protestarão contra esta publicação, mas a mudança de rotina na publicação de meu blog deve-se somente a um fato: homenagear a grande colônia portuguesa radicada no Brasil, através do futebol. Quero prestar minha homenagem ao time de futebol da Portuguesa Desportos, a querida Lusa do Canindé.
Meu blog tem um grande publico em Portugal. Publico fiel, que já acessou as páginas do Prazer da Leitura mais de 10.000 vezes. Parte do agradecimento desta visitação vai para a professora Marilia, diretora do Colegio D.Pedro I, em Lisboa, que incentiva seus alunos a visitarem e lerem minhas publicações.
Falando do futebol, por hoje ser considerado uma empresa, dada as complexidades administrativas, não é fácil obter sucesso numa empreeitada como a montagem de um time vencedor. Não basta apenas contratar 25 ou 30 jogadores, 01 técnico, uma comissão técnica. É preciso ter uma sintonia fina para que todos envolvidos no projeto caminhem em uma só direção, em busca de um ideal comum.
E muito difícil. Imagine sempre que quando duas pessoas estão reunidas, as idéias já se conflitam. Uma orquestra, um time de futebol ou uma equipe de vendas tem o mesmo perfil de dificuldade. Fazer com que o esforço individual seja uníssono e voltado para o bem estar da coletividade é talvez o maior desafio e a maior gloria de quem consegue.
A Portuguesa conseguiu. Montou um time com alguns jogadores experientes, um treinador sério e competente e deu no que deu. Teve seu trabalho, seu planejamento plenamente recompensado.
Que a vitória da Portuguesa seja para este povo fantástico a motivação para os desafios que a vida sempre apresenta.

Parabéns

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

1.000.000 de Páginas!

1.000.000 de Páginas!
Se esta conversa tivesse acontecido em janeiro de 2010, eu não acreditaria de jeito nenhum. Imaginar que um garoto de 16 anos pudesse ler um número tão grande de paginas em menos de 02 anos. Imagina conhecer e vivenciar praticamente todo este período, participando ativamente da motivação necessária, do abastecimento dos livros e do seu conforto físico e espiritual.
Esta é a historia do dono do blog Leitura Veloz. Luis Antonio Gonçalves Netto. Como dá pra notar, estou escrevendo novamente sobre o mesmo personagem de outros artigos: meu neto. Não se trata apenas de escrever sobre um parente próximo. Trata-se sim do reconhecimento de um trabalho realizado praticamente sem critérios de comparação.
Para ser lida a quantidade de 1.000.000 de paginas foram necessários manusear mais de 3.300 livros, que se formos considerar o altura média de um livro em 04 centímetros, significaria poder dizer, apenas para ilustrar o exemplo, que ele leu um livro com 132,00 m. Ou seja, se fossemos colocar todos os livros lado a lado, teríamos que utilizar muito mais que um campo de futebol.
A vida de uma pessoa tem que mudar com tanta informação. A do Luis mudou. E mudou para melhor. Hoje ele é uma pessoa articulada, discute assuntos dos mais diversos temas, mas continua uma pessoa simples. Embora ainda cursando somente o segundo ano do segundo grau, ele já leu livros sobre Direito, Administração, Psicologia, Relações Empresariais, Psiquiatria, Religião, Contos, Poesias e Romances.
Hoje é dia de festa! Festa pra nós que somos da família, festa para os seus amigos mais chegados que o admiram e festa para a cultura de um modo geral. Num mundo onde a maioria dos jovens não coloca a leitura como seu passatempo predileto, eis que surge uma pessoa totalmente do bem, que tem uma vida tão natural como qualquer garoto da sua idade e consegue um prodígio deste. Um dia raro, um dia de comemorar.
Encerro aqui este pequeno artigo, que mais que uma homenagem a um feito que considero inusitado, fica minha admiração e reconhecimento desta caminhada percorrida, que com certeza, ainda não chegou ao final da sua parte inicial. Quem viver verá.

Luis Antonio (um avô orgulhoso)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Metamorfose


Imaginem escrever um livro! Tarefa difícil, não? Agora, imaginem escrever um livro e torná-lo um dos mais lidos do mundo. Este feito foi conquistado por Franz Kafka,  nascido em Praga, no dia 3 de julho de 1883 foi um dos maiores escritores de ficção da língua alemã do século XX. Kafka nasceu numa família de classe média judia. O corpo de obras e suas escritas, a maioria incompletas e publicadas postumamente, destaca-se entre as mais influentes da literatura ocidental. Os seus livros mais conhecidos são “O Processo” e “A Metamorfose”, que comentarei no blog hoje.
Esta obra esta que pode ser resumida em duas partes: Na Parte A o autor conta a história de Gregor Samsa, um caixeiro viajante,  e sua transformação em uma barata e na Parte B relata o que  quis passar ao mundo com a tal obra.

Parte A: O jovem vendedor Gregor Samsa, desprezado pelos seus pais e pela sua irmã, que o tinha apenas passar pagar suas contas e nada mais, um dia acorda transformado em um inseto gigantesco. Mal pode se mover e muito menos ir para o trabalho, como pretendia. O seu chefe vai até sua casa e,  do lado de fora da porta  queixa-se do atraso e do baixo rendimento dele ultimamente. Gregor responde com uma voz que ele mal pode ouvir, dizendo que se sentirá melhor logo que saia e comece a trabalhar. Ao abrir a porta, o chefe fica horrorizado.
A família o deixa isolado no quarto e só sua irmã se preocupa em levar vários  tipos de comida, tentando adivinhar ele vai gostar mais.  Sua mãe tem medo e nem mais quer vê-lo. Uma vez deixou o quarto acidentalmente e o pai o obrigou a voltar, lançando-lhe maçãs que ficam incrustadas no corpo dele. Outra vez sai, atraído pelo violino que a irmã toca para alguns hóspedes e estes se assustam e deixam a casa, enojados.
Sua metamorfose de homem para inseto também provocou uma metamorfose da família, que até então vivia as suas custas. Tiveram que procurar uma forma de sobreviver. Seu pai consegue um emprego como continuo e sua irmã como balconista. Gregor Samsa sobrevive em seu quarto, cada vez mais afastado da natureza humana, embora ainda preocupado com o destino de sua família.
Sua família,  que vinha dando mostras de despreocupação com o seu caso, passa a desprezá-lo e abandoná-lo. A própria irmã, que tanto o havia entendido, diz que eles já toleraram bastante e que já fizeram por ele tudo o era possível e que o erro deles foi acreditar que aquela coisa continua o ser o Gregor. Este cada vez come menos, por inapetência, morre e é jogado no lixo. A família se sente livre e começa a fazer planos para casar a menina.
Franz Kafka
Parte B:  Esta parte. O autor foca a vida de  Gregor quando realmente sentiu ao parecer um inseto, uma barata,  com sua genialidade, consegue mostrar como é o sofrimento de um homem ao perceber que ele não passa de um pagador de contas para a família, ou seja, que não há carinho algum para com ele,  mesmo se esforçando para fazer tudo para a familia. É este  sentimento de desprezo que o faz se sentir um inseto nojento e peçonhento, que se repete em milhares de lares.

Infelizmente, uma roda viva!

Um livro espetacular.

Recomendo a todos.

Quer saber mais? Acesse

http://www.dihitt.com.br/n/livros/2009/03/24/livro-a-metamorfose--gratis-para-baixar

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PAPILLON



Você gosta de aventuras? A historia de Papillon é verdadeira e o que não falta é aventuras. Este livro eu encontrei num sebo já há algum tempo e estava esquecido num cantinho da minha biblioteca. Resolvi lê-lo e fiquei impressionado com a narrativa desta romance, que pode ser considerada um biografia. Ele conta uma parte da vida de Henri Charrière (ou René Belbenoit), autor do livro. Papillon, como era conhecido, foi um dos poucos prisioneiros que conseguiram fugir da Ilha do Diabo, presídio localizado na floresta impenetrável da Guiana Francesa, uma espécie de purgatório, onde os presos pagavam seus crimes sofrendo degradações e brutalidades.
Papillon era um ex-militar da Marinha Francesa e se sobrevivia em Paris, aplicando pequenos golpes. Enganava um aqui, roubava outro ali até que um dia houve um roubo que ele não participou, mas mesmo assim Papillon foi acusado de te-lo feito. Foi condenado injustamente à pena de prisão perpétua e mandado para o exílio na Guiana Francesa
Na Guiana Francesa, o Governo da França construiu um campo de prisional e para este local o governo francês enviava a maioria dos prisioneiros Entre os prisioneiros estão Henri Charriere, o Pappilon, e Louis Dega que se conheceram no porão de prisioneiros. Louis Dega era um falsificador e embora inteligente, era muito frágil fisicamente e era vigiado por outros prisioneiros, pois sabiam que ele tinha dinheiro. Embora prisioneiros, ainda a necessidade do dinheiro é imensa, razão que o mesmo era escondido nos locais menos imagináveis.

Após ficarem amigos Pappilon protege Dega dos outros prisioneiros e surgem pensamentos distintos: sair daquele inferno. Dega acredita que poderá sair pelos meios legais, enquanto Papillon só pensa em fugir daquele sistema prisional, cheio de histórias, personagens estranhos e corruptos. O s dois após uma tentativa de melhorar sua situação são severamente punidos por um dos guardas ,o qual a família perdeu muito dinheiro com um dos golpes de Dega.
Ambos são enviados para a área de trabalho forçado e Pappilon tenta a sua primeira fuga que termina em fracasso e Papillon é preso novamente levado a solitária onde fica por dois anos. Dega tenta ajudá-lo na alimentação enviando cocos escondido dos policiais, mas é descoberto e Papillon têm sua ração alimentar diária diminuída pela metade, mas não entrega seu amigo Dega. Uma vez terminado esse período Pappilon está novamente pronto para fuga. Dessa vez elabora um plano mais eficaz e leva Dega e outro prisioneiro com ele.

Durante a tentativa Dega sofre uma queda na fuga e quase morre devido ao ferimento. Numa praia já bem distante eles aportam, mas são surpreendidos por soldados que atiram nos fugitivos. Pappilon é preso e junto com Dega voltam para Guiana e Pappilon têm uma chance de liberdade indo morar numa aldeia indígena, mas não está satisfeito e consegue fugir novamente. Foi parar num convento e enquanto dormia a Madre Superiora o denunciou e ele foi preso novamente. Desta vez foram longos cinco anos na solitária e ele sobreviveu mesmo assim.



Após a dura pena ele é levado para a Ilha do Diabo um local onde a fuga é praticamente impossível devido às correntes marítimas e ao gigantesco penhasco de pedra que forma a ilha. Pappilon se reencontra com Dega e propõe a ele um novo plano de fuga, Dega não acredita e foge dele. Dega perdeu as esperanças, pois sua esposa se casou com o seu advogado e ele perdeu tudo que tinha. Pappilon sempre persistente, não desiste e numa tentativa fantástica em que usa todo seu conhecimento de correntes marítimas consegue fugir, seu intento dizendo: Eu ainda estou vivo seus desgraçados.

 Um livro ótimo. Henri Charrière era um ótimo contador de historia e após sua fuga escreveu o livro Papillon, que se transformou em filme, tendo nos papeis principais Steve McQueen (no papel de Papillon) e Dustin Hoffman (Louis Dega). Um drama real que existe além do filme, muito material a respeito deste homem, que segundo pesquisa existente, ele foi enterrado, após sua morte em Roraima, no Brasil. O livro faz por merecer todo respeito e admiração que recebeu dos críticos e de quem já teve oportunidade de ler esta obra fantástica.

O endereço abaixo mostra o traile do filme

http://www.youtube.com/watch?v=DARD1l-tr6g - 86k

Recomendo a todos.

Fotos obtidas pela Internet