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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os Erros de Einstein


“Os Erros de Einsten” do americano nascido em Vermont Hans C. Ohanian, que também já escreveu vários livros e dezenas de artigos sobre física.
Einsten ficou conhecido por desenvolver a teoria da relatividade. Ganhou o Nobel de Física de 1921, por explicar corretamente o efeito fotoeléctrico. O seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atômica, apesar de não ser este seu objetivo. Foram algumas conquistas do gênio nascido na cidade alemã de Ulm, hoje Württemberg, sul da Alemanha, no dia 14 de março de 1879.
Albert Einstein, filho de Hermann Einstein, um pequeno industrial judeu e de Pauline Koch, em sua juventude em Zurique, sofreu muito. Entre mudanças de cidades e falências das empresas do seu pai, Einstein enfrentou o autoritarismo da escola alemã e os preconceitos raciais que aconteciam com enorme freqüência naquela época. Logo cedo demonstrou uma certa facilidade para atividades individuais. Ao invés de jogos infantis no jardim, com as outras crianças, preferia construir, sozinho, complicadas estruturas com cubos de madeira e grandes castelos de cartas de baralho, alguns com catorze andares.
Aos sete anos ele fez o teorema de Pitágoras, para surpresa do seu tio Jakob, que poucos dias antes lhe ensinara os fundamentos da geometria. Mas, se para a matemática e para as ciências naturais ele era mais do que bem dotado, por ter um grande grau de intuição e habilidade lógica, para as disciplinas que exigiam a memorização Einstein era um verdadeiro fracasso, por exemplo, geografia, história, francês e, principalmente, o grego constituíam obstáculos quase intransponíveis. Decorar conjugações de verbos era para ele um horror. Enfim, no conjunto das suas habilidades infantis, nada deixava deduzir o gênio que viria a ser. Seus familiares acreditavam até que ele poderia ter algum tipo de dislexia.
Devido as suas dificuldades para memorizações ele demonstrava desinteresse pelas aulas que exigem tais habilidades, provocando violentas reações dos seus professores. Tanto, que certo dia o diretor da escola, também professor de grego, convoca-o para uma reunião e diz que seu desinteresse pelo grego era uma falta de respeito pelo professor, e que sua presença na classe era péssimo exemplo para os outros alunos. Encerrando a reunião, o professor disse que Einstein seria um imprestável. 
Apenas três fatos desse período lhe são relevantes: as lições de violino que sua mãe lhe dava, as "aulas" de geometria do seu tio Jakob e a história da bússola. Certo dia, quando aos cinco anos se recuperava de uma enfermidade, Einstein ganhou do pai uma bússola de bolso que lhe causou profunda impressão, pois o ponteiro sempre apontava para o mesmo lugar, não importando a posição em que a bússola fosse colocada. Nas suas notas autobiográficas ele descreve esta reação com a palavra alemã "wundern", que pode ser traduzido por "milagre".
O mesmo tipo de sensação ele teve quando aos doze anos leu um livro de geometria, e imediatamente lembrou-se da demonstração do teorema de Pitágoras que fizera aos sete anos. Da sua época colegial ele costumava dizer que "os professores da escola primária pareciam sargentos, e os do ginásio pareciam tenentes".
Aos quinze anos Einstein decide abandonar o ginásio, partindo para Milão, onde vivem seus pais. Um ano depois seu pai comunica que não pode mais lhe dar dinheiro, pois a fábrica estava, mais uma vez, à beira da falência. "É preciso que você arranje uma profissão qualquer, o mais rápido possível", falou o senhor Hermann Einstein. Foi então que Albert decidiu fazer física, mas, não possuindo o diploma do ginásio, ele não podia entrar na universidade. Como alternativa ele poderia freqüentar um instituto técnico, e Einstein escolhe simplesmente o mais renomado da Europa central, a Escola Politécnica Federal, a ainda hoje famosa ETH, em Zurique .
Na primeira tentativa de ingresso ele é reprovado nas provas de botânica, zoologia e línguas modernas, mas seu excelente resultado em física chamou a atenção do diretor da escola, que lhe aconselha a freqüentar uma escola em Aarau, próxima a Zurique, a fim de obter o diploma dos estudos secundários, com o qual adquiriria o direito de freqüentar a ETH, ou a universidade. 

Em 1895, aos dezesseis anos, Einstein estava muitíssimo feliz no ambiente livre e motivador da escola, e se preocupava com um problema que nem ele, nem seu professor sabiam resolver: queria saber qual o aspecto que teria uma onda luminosa para alguém que a observasse viajando com a mesma velocidade que ela. Este problema voltaria tempos depois, quando Einstein formulou sua teoria da relatividade.
Em 1896, após a conclusão do secundário, ele é aceito na ETH como estudante de matemática e física, mas, para sua surpresa e decepção, a Escola Politécnica não atendia suas expectativas. Ao contrário da escola de Aarau, onde as aulas se desenvolviam em estimulantes discussões, na ETH os professores se contentavam em ler, em voz alta, livros inteiros.
Para fugir do tédio de aulas, Einstein decide mudar um pouco o sistema, aproveitando o tempo livre para ler obras de física teórica. Devora livros e mais livros que os professores da ETH deixavam de lado: Boltzmann, Helmholtz, Hertz, Kirchhoff, Maxwell, entre outros. Na ETH, como no ginásio alemão, ele atrai a má vontade dos seus professores, e isso lhe causara mais transtorno. Para ilustrar a imagem que alguns professores tinham de Einstein, conta-se que Minkowski teria dito, alguns anos depois do artigo sobre a teoria da relatividade: "para mim isso foi uma grande surpresa, porque na época dos seus estudos Einstein era um preguiçoso. Ele não demonstrava qualquer interesse por matemática".
Em suas notas autobiográficas, Einstein diz que ali teve excelentes professores, mas menciona apenas dois: Hurwitz e Minkowski. Nestes textos confessa que passou a maior parte do tempo nos laboratórios, fascinado com as experiências, e que era um péssimo aluno na maioria dos cursos. Confessa também que usou os apontamentos de um aluno aplicado para se submeter aos exames. Esse colega era Marcel Grossmann, a quem Einstein dedica sua tese de doutorado, "Sobre uma nova determinação das dimensões moleculares", apresentada na Universidade de Zurique em 1905.
São as cartas trocadas entre Einstein e Mileva Maric, sua primeira mulher, que melhor esclarecem esse período passado na ETH. Sabe-se, a partir de então, que ele adora ler Helmholtz e Hertz. Essas leituras, provavelmente, ,deram o impulso inicial para a teoria da relatividade.
A 6 de janeiro de 1903 casou-se com Mileva Maric. Tiveram três filhos: Lieserl, Hans Albert e Eduard. A primeira morreu ainda bebê, o mais velho tornou-se professor de hidráulica na Universidade da Califórnia e o mais jovem, formado em música e literatura, morreu num hospital psiquiátrico suíço.
Entre 1909 e 1913 Einstein lecionou em Berna, Zurique e Praga. Voltou à Alemanha em 1914, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial. Aceitou um cargo de pesquisa na Academia Prussiana de Ciências junto com uma cadeira na Universidade de Berlim. Também assumiu a direção do Instituto Wilhelm de Física em Berlim.
Em novembro de 1915, Einstein iniciou uma série de conferências e apresentou sua teoria da relatividade geral. No ano seguinte o cientista publicou "Fundamento Geral da Teoria da Relatividade".
Em 1919, separou-se da esposa Mileva e se casou com a prima Elsa. Naquele ano tornou-se conhecido em todo o mundo, depois que sua teoria foi comprovada em experiência realizada durante um eclipse solar. 

Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física de 1921 e foi indicado para integrar a Organização de Cooperação Intelectual da Liga das Nações. No mesmo ano, publicou "Sobre a Teoria da Relatividade Especial e Geral".
Ao longo da vida, Einstein visitou diversos países, incluindo o Brasil, em 1925. Entre 1925 e 1928, Einstein foi presidente da Universidade Hebraica de Jerusalém.
Em 1933, Hitler chegou ao poder na Alemanha e o cientista foi aconselhado por amigos a deixar o país, renunciando mais uma vez à cidadania alemã.
A 7 de outubro de 1933, Einstein partiu para os Estados Unidos, onde passou a integrar o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton. Em 1940 ganhou a cidadania americana, mantendo também a cidadania suíça.
Em 1941 teve início o Projeto Manhattan, que visava o desenvolvimento da bomba atômica pelos americanos. Einstein não teve participação no projeto. Em 1945, renunciou ao cargo de diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, mas continuou a trabalhar naquela instituição.
A intensa atividade intelectual de Einstein resultou na publicação de grande número de trabalhos, entre eles "Por Que a Guerra?", 1933, em colaboração com Sigmund Freud; "O Mundo como Eu o Vejo", 1949, e "Meus Últimos Anos", 1950. A principal característica de sua obra foi uma síntese do conhecimento sobre o mundo físico, que acabou por levar a uma compreensão mais ampla e profunda do universo.
Em 1952, Ben-Gurion, primeiro-ministro de Israel, convidou Albert Einstein para assumir o cargo de presidente do Estado de Israel. Doente, Einstein recusou. Uma semana antes de sua morte assinou sua última carta, para Bertrand Russell, concordando em que o seu nome fosse incluído no pedido para algumas nações abandonar as armas nucleares.
Contribuindo para a física no século 20 no âmbito das duas teorias que constituíram seus traços mais peculiares, a dos quanta e da relatividade, Einstein deu à primeira o elemento essencial de sua concepção do fóton, indispensável para que mais tarde se fundissem, na mecânica ondulatória de Louis de Broglie, a mecânica e o eletromagnetismo. E deu à segunda sua significação completa e universal, que se passa dos campos da ciência pura e atinge o conhecimento humano. Saliente-se também que algumas das descobertas de Einstein, como a noção de equivalência entre massa e energia e a do continium quadridimensional, suscitaram interpretações filosóficas de variadas tendências.
Einstein morreu a 18 de abril de 1955, em Princeton, Nova Jersey, aos 76 anos. Seu corpo foi cremado.
Um ótimo livro.
Recomendo a todos.

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