sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Auto da Barca do Inferno


Auto da Barca do Inferno é um dos livros mais lidos e comentados o grande autor Gil Vicente, pois ele consegue em um teatro mostrar como seria a decisão de quem vai para o céu e quem vai para inferno, sendo representado por Anjo e o Diabo, respectivamente.
Por este teatro passam diversos personagens, cada um com sua história, com seus acertos e erros, porém todos estão agora diante de Anjo e do Diado para através do julgamento, decidir vossos caminhos.
Fidalgo Anrique é o primeiro, trazendo consigo um pajem carregando uma cadeira com encosto e ricamente vestido. Mas este acessório não interfere em nada é um julgamento moral, ou seja, o dinheiro não tem importância alguma. Diabo é o primeiro a receber as almas, convida o fidalgo a entrar na barca, ao saber do destino ele zomba. Por ter deixado alguém que rezasse por ele queria ir para o Céu, porém que ao ser rejeitado pelo anjo ele mostra certa humildade quando se arrepende da vida vazia que levou. Pois o que havia o levado a condenação foi a tirania, a frieza e a soberba.
O próximo é o Onzeneiro Ambicioso. Este é condenado pela avareza e ganância, traz consigo uma grande bolsa onde guardava o dinheiro que roubava das pessoas quando vivo, era agiota. O Diabo o cumprimenta alegre, mas Onzeneiro se recusa a entrar nesse batel, mas é despedido pelo anjo que condena por ele ser muitíssimo ambicioso.
A próxima alma a chegar é o Parvo. Sem saber o que estava acontecendo, ele é recebido pelo diabo, que usa diversos argumentos para convencê-lo de entrar em vossa barca. Ao descobrir o destino da barca infernal, o parvo xinga o diabo e vai até a barca da glória. Ao chegar, o parvo diz não ser ninguém, mas pela sua humildade, modéstia e honestidade, a sua sentença é a glorificação.
Agora quem entra em cena para o julgamento é o Sapateiro, que traz consigo tudo o que sempre utilizou para efetuar seu trabalho. Ao saber o destino da barca do inferno, ele recorre ao anjo, mas sua tentativa é nula, pois foi condenado por roubar o povo com seu ofício durante 30 anos e por sua falsidade religiosa.
O próximo é Frade que chega ao julgamento alegre e confiante, acompanhado de sua amante e usando roupas sacerdotais por cima de uma roupa de esgrima, esporte no qual se considerava muito ágil, é convidado pelo Diado a entra na barca infernal. Achando tal proposta absurda recorre ao Anjo, que ao menos o concede a palavra e o condena ao Inferno pelo sua falsidade religiosa.
Agora era a vez Brísidia Vaz, uma mulher atraente, mas muito má, Brisidia era uma mistura de feiticeira, cafetina, entre outros. Tinha em si um forte poder de sedução. Ao chegar ao julgamento é recepciona pelo Diado que a chama para adentrar a barca do inferno, no entanto ela sente que existe possibilidades de conseguir entrar na barca do Céu, então vai até o Anjo e tentando utilizar todo seu chamar o pede para que a deixe entrar em vossa barca. O Anjo muito sábio, percebe e a condena por prostituição e feitiçaria.
A seguir, é a vez do judeu, que chega acompanhado por um bode. Mudando um pouco dos pedidos dos anteriores, ele pede para ingressar na barca do inferno, mas lá até o Diabo o recusa, não contente o judeu, muito rico, tenta suborna o Diabo que sem ceder continua a recusa-lo. O judeu fala então com o anjo, porém não consegue aproximar-se dele: é impedido pelo Parvo, que o acusa de não aceitar o cristianismo. Por fim, o diabo aceita levar o judeu e seu bode, mas não dentro de sua barca, e, sim, rebocados.
O corregedor e o procurador, representantes da justiça, chegam a seguir, trazendo diversos livros e processos. Quando convidados pelo diabo para entrar na barca, usufruindo de todo o poder de argumentação começam a elaborar suas defesas, então se encaminham ao Anjo. Na barca do céu, o anjo os impede de entrar: são condenados à barca do inferno por manipularem a justiça em benefício próprio. Ambos farão companhia à Brísida Vaz, revelando certa familiaridade com a cafetina, o que nos faz crer em trocas de serviços entre eles e ela.
O próximo a chegar é o enforcado, que acredita ter perdão para seus pecados, pois em vida foi julgado e enforcado. Mas também é condenado a ir ao inferno por corrupção. Assim se encerrar o julgamento.

Um livro fantástico.

Recomendo a todos.

IRACEMA


No livro “Iracema” do grande escritor brasileiro, José de Alencar, conta a história de amor vivida por Martin, um português, e Iracema uma índia tabajara. Eles se apaixonaram  quase que à primeira vista. Devido a diferença étnica, por ser Iracema filha do Pajé da tribo e por um membro da tribo, o índio Irapuã  gostar dela e não permitiria jamais o relacionamento entre a índia e o português, restou somente a solução de fugirem para poderem ficar juntos,  em nome do grande amor que sentiam um pelo outro.
Então, Iracema e Martim, fogem das terras dos tabajaras, e passam a morar com os Pitiguaras, na tribo liderada por  Poti. Esta mudança causou em Iracema  um grande sofrimento, mas seu amor por Martim é  mais forte, que logo ela se acostuma, ou pelo menos, não deixa transparecer. A fuga de Iracema faz com que seja travada uma nova batalha entre os Tabajaras e os Pitiguaras.  A razão e o motivo é que  Irapuã quer se vingar de Martin, que "roubou" Iracema.  Poti, índio pitiguara, que é amigo de Martin, para protegê-lo, aceita a briga com a tribo vizinha.
A nação tabajara alia-se com os franceses que lutavam  contra os portugueses, pelo domínio das  terras.  E os Pitiguaras fazem uma aliança com os portugueses. Estava pronto o cenário da guerra, que como tantas outras têm inicio com um simples pretexto.
O português Martim, com o passar do tempo começa a sentir falta das da família e das pessoas que deixou em Portugal, e  acaba de distanciando de Iracema, não dando muito atenção a ela. Esta, por sua vez, já grávida, sofre muito percebendo a tristeza e o desprezo do amado para com ela. Sabendo que é o motivo do sofrimento de Martim, ela resolve morrer depois que dar à luz ao filho.
Sabendo da ausência de Martim, Caubí, irmão de Iracema, vai visitá-la dizendo que já a perdoou por ter fugido e dado às costas à sua tribo. Acaba conhecendo o sobrinho, e promete fazer visitas com mais freqüência aos dois e Caubi conta ao seu pai, Araquém, que estava muito velho e muito doente, por causa da fuga de Iracema.
Numa época que Martim não estava na aldeia, Iracema tem seu filho, Moacir.  Os primeiros meses não foram  nada fáceis. Iracema sofria muito e não se alimentava direito. Iracema estava só e lutava com todas suas forças para sobreviver e cuidar de seu filho. Quando seu amado Martin voltou, Iracema entregou  seu filho Moacir para Martin e devido a fraqueza  que estava acometida, veio a falecer. Iracema foi enterrada ao pé de um coqueiro, na borda de um rio, o qual mais tarde seria batizado de Ceará, e que daria também nome à região banhada por este rio.
Ao meio desta bela história de amor, estão os conflitos tribais, intensificados pela intervenção dos brancos, preocupados apenas em conquistar mais territórios e as riquezas das terras habitadas pelos índios.
Um livro fantástico, no qual reúne contextos históricos e um romance surpreendente.
Recomendo à todos.

A Bola de Neve - Warren Buffett e o Negócio da Vida


Hoje no noticiário da Internet, especificamente no site da UOL, saiu publicado a noticia abaixo
"O bilionário Warren Buffett, dono da Berkshire Hathaway, revelou nesta terça-feira (17) que tem câncer de próstata em estágio 1, mas disse que sua condição "não representa uma ameaça à vida nem implica que ficará debilitado de maneira significativa".
Buffett disse que começará um tratamento de dois meses de radiação diária, com início em meados de julho. Durante esse período, ele terá pouca condição de fazer viagens, segundo afirmou em comunicado.
A Berkshire está a menos de três semanas de seu encontro anual em que mais de 40 mil acionistas vão à sua sede em Omaha, no Nebraska, Estados Unidos. Buffett costuma ocupar uma posição central no evento.
Já havia expectativa de que o encontro deste ano tratasse do tema sucessão, depois de que Buffett, de 81 anos, disse em carta aos acionistas que o Conselho da Berkshire tinha identificado um sucessor. O nome do executivo não foi revelado"
Vocês podem perguntar, mas o que tem a ver esta noticia com a linha do blog "Prazer da Leitura"? Tem tudo a ver. No final do ano passado, li a historia deste grande empresário, no livro " A Bola de Neve", que recomendo a todos. Recentemente, passou uma grande reportagem com este homem e foi revelada diversas facetas de sua personalidade, entre elas a simplicidade.
Imagine uma situação como esta: ser um dos homens mais ricos do mundo e morar na mesma casa à mais de 50 anos, não se importar com carro - para ele, carro é somente uma condução e nunca um icone de poder. Não tem iate, não gasta de restaurantes sofisticados e é apaixonado por hamburguer e Coca Cola - tornou-se seu principal acionista e embora tenha uma frota de aviões comerciais, comprou para uso particular um avião usado, que tinha o objetivo de faze-lo ganhar tempo.
Sua simplicidade, segundo o livro também era extensiva a maneira de se vestir. Não usava roupas de griffe e embora seus amigos sempre insistissem, ele sempre estava vestido de maneira simples e confortavel, de seu ponto de vista. A narrativa do livro é até engraçada, pois a autora narra a completa aversão de Warren Buffett à modernidade da tecnologia.
Mais importante e mais significativo do que isso tudo, foi  Warren Buffett demonstrar ao mundo que a verdadeira riqueza de uma pessoa não reside na quantidade e variedade de bens materiais ou no tamanho da conta bancária que ela possui em decorrência de uma vida de trabalho, mas sim no exemplo de vida que ela edifica em decorrência de uma vida dedicada ao trabalho.

Vale a pena ler este livro.

Recomendo.

O Livreiro de Cabul


Hoje fiquei com vontade de escrever sobre um livro que li quando estava no topo da lista dos mais vendidos, "O Livreiro de Cabul". O enrendo do livro transcorre no dominio dos Talibâ, no Afeganistão. É uma reportagem fantastica sobre aquele povo sofrido pela guerra e por todas as dificuldades impostas por um regime politico incompativel com a nossa realidade.
Esta obra foi escrito por Åsne Seierstad, uma jornalista norueguesa nascida em 10 de fevereiro de 1970. Formada em filologia russa e espanhola e em história da filosofia pela Universidade de Oslo,  atua como correspondente de guerra desde 1994 e nesta atividade cobriu diversos confrontos internacionais para meios de comunicações escandinavos, holandeses e alemães, o que lhe rendeu prestigiosos prêmios, entre os quais o Free Speech Award,em 2002, e o Grande Prêmio Norueguês de Jornalismo, em 2003. Cobriu a invasão do Afeganistão e a Guerra do Iraque em 2003.
No livro, o personagem principal, Sultan Khan, é inspirado em um livreiro de carne e osso, que enfrentou poucas e boas para garantir o funcionamento de suas livrarias durante o Talibã. Embora tivesse um comportamento liberal e progressista na área da cultura, Sultan Khan dirigia a família com mão de ferro, seguindo os preceitos do fundamentalismo islâmico no trato com as esposas e filhos.
Sendo bem objetiva nos argumentos, a autora não esconde a admiração que aprendeu a sentir pelo patriarca do clã que a hospeda na tumultuada Cabul de muitas guerras civis e invasões. Mesmo admitindo que algumas ações de seu anfitrião são condenáveis sob o ponto de vista da sociedade na qual foi educada, Asne não deixa de mostrar um outro ponto de observação pelo qual o leitor pode tecer suas próprias considerações.
Boa parte das ações humanas se origina na zona cinzenta que faz o ponto de intersecção entre a luz e a sombra. Pena que a família do livreiro não gostou do resultado, ou se arrependeu de deixar alguém devassar sua intimidade.
Sem esconder a opressão vivida pelas mulheres afegãs, tema largamente explorado na literatura e amplamente mostrado na mídia, ela investe em esmiuçar outro ângulo da mesma questão, revelando que as relações de gênero no Afeganistão são bem mais complexas do que sonha a vã filosofia maniqueísta da cultura ocidental. Os homens de lá também vivem oprimidos, tanto por regimes que cerceiam as liberdades civis, quanto pelo peso da tradição.
Um tema muito explorado é as repressões sofridas e a desigualdades, tratando as mulheres com inferioridade extrema perante aos homens, ela investe em relatar outro ângulo da mesma questão, revelando que as relações de gênero no Afeganistão são bem mais complexas do que sonha a vã filosofia maniqueísta da cultura ocidental. Os homens de lá também vivem oprimidos, tanto por regimes que cerceiam as liberdades civis, quanto pelo peso da tradição.
Um livro espetacular, pois Åsne Seierstad consegue em cerca de 300 paginas, passar todo seu estudo antropológico de forma com que o livro não se torne maçante para o leitor.

Muito Bom.

Recomendo a todos.

Memórias de um Sargento de Milícias


O livro “Memórias de um Sargento de Milícias” foi um grande romance escrito por Manuel Antônio de Almeida, publicado na sua primeira edição em 1854. O autor relata a historia de Leonardo, mas tudo começa com a viagem que os pais do nosso personagem principal fazem de navio, de Lisboa ao Rio de Janeiro. Durante a viagem, Leonardo Pataca, o pai e Maria Hortaliça, a mãe, se conhecem e no vai e vem da travessia do Oceano Atlântico, se apaixonam e logo após se casam e desta união nasceu Leonardo, que no futuro seria o Sargento de Milícias. Desde pequeno, Leonardo era manhoso e arteiro e vivia sempre criando confusão, o que parecia ser inevitável um conflito com o Major Vidigal, considerado o homem forte da policia local (milícias) e que não suportava malandros.
Leonardo praticamente foi criado pelo seu padrinho, visto ter sua mãe traído o seu pai e quando o mesmo veio descobrir, deu uma surra na mulher, que acabou fugindo com seu amante para Lisboa. Deixando seu filho Leonardo ao acaso, uma vez que o pai, Leonardo Pataca também foi embora,
Leonardo (filho) ficou então aos cuidados de seu padrinho, um barbeiro “bem arranjado”,que passou a estimar muito o menino. Planejou fazê-lo padre, iniciou a escrita e a leitura, bem precariamente, e depois o encaminhou à escola. Por esses tempos a madrinha de Leonardo também apareceu e lhe visitava sempre. O menino não passava um dia sem apanhar na escola com a palmatória do mestre. Quando passou a ir sozinho, faltava às aulas e ia para igreja se juntar a Tomás e fazer bagunça.
Embora tenha tentado ser coroinha, seu gênio irrequieto, não permitia que ele seguisse as regras da Igreja e acabou sendo expulso por tanto aprontar e desta maneira passou toda sua infância. Já na sua juventude, embora ainda levasse uma vida de vadiagem, certa ocasião, ele e seu padrinho passaram a frequentar a casa de D. Maria. Leonardo conhece então a sobrinha de D. Maria, Luisinha, e por ela se apaixona.
Ocorreu que D, Maria tinha outros planos para a filha e deu um jeito que ela se casasse com José Manuel. O padrinho morreu e Leonardo foi finalmente viver com seu pai. Ele não se dava muito bem com a madrasta, uma cigana. Numa briga que teve com a madastra, teve que sair de sua casa fugindo, pois seu pai tomou partido em favor da mulher o ameaçou mata-lo com uma espada.
Assim foi a vida de Leonardo, sempre metido em confusão. Uma ocasião, por causa de uma paixão, Vidinha, que também despertava a paixão em outros dois amigos, foi vitima de uma armação e acabou nas garras do temido Major Vidigal. Ele consegue fugir e com a ajuda de sua madrinha, consegue arrumar um emprego na casa real, mas logo também é despedido, por tentar ficar intimo do pessoal da casa.
Entre uma confusão e outra, Leonardo acaba, finalmente, nas mãos do Major Vidigal, que o nomeia granadeiro (soldado) e o coloca numa missão para prender Teotônio. Para isso, mandou Leonardo até a casa do pai dele, que estava dando a festa de batizado da filha e Teotônio animava a festa. A sua missão era permanecer por lá para facilitar a captura de Teotônio, enquanto, Vidigal e seus homens cercavam a casa. No entanto, Leonardo se sentiu um traidor e armou com Teotônio sua fuga sem que se comprometesse. O plano deu certo, mas Leonardo ficou tão alegre que acabou por se denunciar e foi preso pelo Major Vidigal. Ao saber da prisão, sua madrinha pediu ao major a libertação do afilhado, mas como não obteve resultados teve que apelar para Maria-Regalada, a primeira paixão de Vidigal, que somente consentiu em libertar Leonardo, após promessa de sua amada em morar com ele.
Depois de um tempo casada, Luisinha, a grande paixão de Leonardo, ficou viúva. Leonardo, que nesta altura já tinha sido promovido a Sargento, passou a frequentar novamente a casa de D. Maria, e seu amor por Luisinha renasceu e o dela também. A madrinha e D. Maria estavam mais do que de acordo com o casamento deles, o que impedia era o posto de sargento, que não permitia o casamento. Pediram então novamente a ajuda de Vidigal, que nesses tempos já vivia com Maria-Regalada. O homem cedeu com gosto e fez de Leonardo sargento de milícias, ofício que permitia o casamento.

Quem é o mentiroso da sua vida?


Tente responder esta pergunta. A principio você deve achar engraçado ou mesmo citar alguma pessoa próxima de você, mas esta pergunta tem um fundo cientifico muito grande. O autor, Robert Feldman, que é membro da American Psychological Association e da Association for Psychological Science, estudou o ato de mentir e enganar, diariamente por 25 anos e deste grande estudo, ele escreveu este livro de titulo bastante desafiador.
Sem duvida o assunto que é abordado  nesse texto, é o mal que rondou, ronda e sempre rondará a sociedade. Se fizer uma pesquisa pessoal, dificilmente acharemos uma pessoa que diga, com sinceridade, eu nunca menti. Não dá para generalizar, mas pode-se afirmar com segurança que a grande maioria já contou pelo menos uma mentira, por mais insignificante que ela seja.
No trabalho, na vida de um casal, entre os membros de uma família, entre amigos, até mesmo no convívio com desconhecidos a mentira, por mais errada que seja que traia a confiança do enganado, ela acontece. Às vezes involuntariamente ou até mesmo planejada, a humanidade não escapa dela.
Muito se ouve falar da mentira branda, que é na cabeça dos leigos, é uma mentira para o bem, usada, às vezes, para evitar alguma desavença, porém, caro leitor, será que existe “mentira do bem”?’. Segundo Robert Feldman esse termo não passa de um estimulo a mentira, pois apesar de naquele momento a felicidade reinar no local, no instante em que for descoberta a verdade, pode não acontecer nada,  mas pode modificar completamente a vida da pessoa, que foi a “vitima” da mentira contada.
 Outro tema abordado pelo autor é a mentira profissional, que as estatísticas apontam que 15% das pessoas mentem nos seu trabalho. Parece surpreendente o numero citado, mas estudos recentes confirmam que existem muitas mentiras profissionais, seja para conseguir um emprego,  salvar o emprego atual ou apenas para manter uma boa imagem. O estudo desenvolvido pelo autor mostra que 1 em cada 5 trabalhadores estariam dispostos a mentir para se manter no seu emprego.
Na verdade, quem conta a mentira pode até ter um objetivo louvável, como manter um bom ambiente entre colegas ou defender a reputação da sua equipe de trabalho.  Mas a mentira tem “perna curta” e, mesmo na melhor das intenções, faltar à verdade acabará por comprometer a sua credibilidade e a sua carreira, prejudicando também o relacionamento com colegas, chefias e clientes. Assim a honestidade é sempre a melhor política, seja qual for a sua área de atividade, grau de responsabilidade e funções. Espero conseguir fazer isso, mas posso te garantir que não é fácil, diria até impossível, fazer parte do seleto grupo de pessoas que somente falam a verdade, a vida toda. E você, o que acha? Escreva dando sua opinião.

Recomendo a todos.

O Retrato de Dorian Gray


Leio muitos livros e sempre que posso publico uma  rápida resenha sobre o que li, sempre com o objetivo de convida-los a conhecer obras, que na minha opinião, são muito legais e interessantes. Na resenha de hoje recomendo a leitura de um clássico da literatura inglesa, aclamado em toda parte do mundo, vindo inclusive ser um grande sucesso no cinema. Trata-se de "O Retrato de Dorian Gray", escrito por Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde e publicado em 1890. Mais de um século depois, ainda é um grande sucesso editorial.
A narrativa do autor, levando em conta a ápoca que foi escrito o livro, tem uma linguagem até dificil de entender, considerando a utilização de muitas palavras que hoje não são mais utilizadas, mas isto não tira a beleza da obra. No final, além do envolvimento natural com os personagens, podemos aprender um quantidade de palavras novas (velhas).
A narrativa do autor, nos leva a conhecer a historia de Dorian Gray, um jovem inglês, de rara beleza.
Sua beleza era tanta quanto sua ingênuidade. Era tão inocente que se deixava levar por tudo e por todos, sem contestação. Numa ocasião, ele conhece o outro personagem principal do livro, Lorde Henry, uma pessoa cinica, egoista, machista, que faz tudo pensando somente nele, não se importando em nada com os sentimentos das outras pessoas. Dorian passa conviver com Lorde Henry e passa também a se comportar como o seu amigo, sendo totalmente influenciado pelos habitos do seu "tutor". A partir dai a personalidade de Dorian muda. Já não é aquela pessoa inocente, pura. Agora é uma pessoa fria, egoista
Dorian conhece Basil, um pintor, que lhe faz um retrato e o presenteia com o mesmo. Este retrato possui um encantamento que Dorian vai perceber somente mais tarde. Um dia, conhece Sibyl Vane, uma linda menina e ótima atriz e por conta destes predicados, julga-se perdidamente apaixonado por ela, mas quando a mesma se envolve num acontecimento fortuito, ela a deixa imediatamente, sem dar a menor importancia aos sentimentos de Sibyl, com a justificativa que ela já não era boa o suficiente para ele. Chegando em casa, naquele mesmo dia, Dorian nota que o retrato pintado por Basil ganha alguns traços que dão a ele um ar de crueldade e velhice. Este é o encantamento do quadro: Dorian permanece para sempre belo e jovem enquanto a sua imagem no quadro envelhece a cada dia. Parece ser o sonho de todos, não?
Ainda sou jovem e não disponho de formação academica para discutir alguns assuntos abordados no livro, como o tratamento dado as mulheres, que são literalmente humilhadas pelo personagem Lorde Henry. O livro trata também sobre um assunto muito presente nos dias de hoje: a beleza. Será que esta busca quase insana em busca da beleza é o passaporte para um vida plena? Será que é tão importante a beleza para sermos felizes? E a amizade? O autor também trata deste tema e  numa mensagem da trama, fica o questionamento sobre a influência que uma amizade pode causar na formação do carater de uma pessoa.

Vale a pena ler este livro

Getúlio Vargas (1882-1930)


No dia 19 de abril de 1882, no interior do Rio Grande do Sul, São Borja, filho de Manuel do Nascimento Vargas e de Cândida Francisca Dorneles Vargas, nasceu um dos maiores nomes da historia do Brasil, Getulio Vargas. Sua juventude foi bem conturbada, fazendo com que ele chegasse a alterar documentos para fazer constar o ano de nascimento como 1883. Este fato somente foi descoberto nas comemorações do seu Centenário de Nascimento, quando, verificando os livros de registros de batismos da Paróquia de São Francisco de Borja, descobriu que Getúlio Vargas nasceu em 1882, conforme assento de batismo.
Getúlio Vargas nasceu de uma tradicional família da zona rural da fronteira com a Argentina. Os Vargas, como são conhecidos, são originários do Arquipélago dos Açores, e assim como a maioria das famílias povoadoras do Rio Grande do Sul que emigraram para o Brasil em busca de melhores condições de vida.
O casamento de Getúlio Vargas aconteceu na cidade de São Borja, em 4 de março de 1910, com Darcy Lima Sarmanho e tiveram  cinco filhos: Lutero Vargas, Getulinho,  Alzira Vargas, Jandira e Manuel Sarmanho Vargas. Este casamento foi um ato de conciliação, pois as famílias dos noivos apoiavam  partidos políticos rivais na Revolução Federalista de 1893. A família de Darcy Sarmanho era maragato, do Partido Federalista do Rio Grande do Sul, e a de Getúlio ximango, do Partido Republicano Rio-grandense.
Getúlio Vargas iniciou sua carreira politca elegendo-se deputado estadual pelo Partido Republicano Riograndense, o PRR, sendo reeleito em 1913. Renunciou ao 2º mandato  pouco tempo depois de empossado, em protesto às atitudes tomadas pelo então Presidente (governador) do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, nas eleições de Cachoeira do Sul.
Retornou à Assembleia Legislativa Estadual em 1917, que tinha na época o nome de Assembléia dos Representantes, sendo novamente reeleito em 1919 e 1921. Na legislatura de 1922 a 1924, Getúlio foi eleito líder do PRR e, segundo o suplemento especial da Revista do Globo de agosto de 1950, na condição de líder da maioria, Getúlio se mostrou conciliador e dirimiu conflitos do PRR com a minoria do Partido Federalista do Rio Grande do Sul, o qual em 1928, tornou-se o Partido Libertador.
Um livro fantástico. Este é um breve relato da primeira parte da trilogia que conta a vida de Getúlio Vargas, que Lira Neto, jornalista cearense, nascido em Fortaleza em 1963, que fez talvez a mais profunda pesquisa sobre um brasileiro que marcou epoca na vida e na formação de um Brasil forte.

Vale a pena a leitura.

Recomendo a todos.

1929 - A Grande Crise


Embora ainda não esteja envolvido diretamente com o assunto Economia, não pude ficar indiferente esta semana às noticias desta área, principalmente pela queda das ações do grupo OGX, do multimilionário brasileiro, Eike Batista. A queda do valor das ações das empresas ligadas à este grupo foram enormes, chegando a 40% em apenas 03 dias, que representam bilhoes de reais. É curioso o processo dinamico que denominamos de "Mercado". De um instante para o outro, fortunas são perdidas ou ganhadas e isto me levou a publicar um rapido resumo de um livro que li no inicio do ano, que julgo apropriado para o momento. Trata-se do livro "1929 - A Grande Crise" do escritor canadense John Kenneth Galbraith. Considerado um intelectual publico em Economia, publicou vários livros que foram sucessos editoriais.
O tema abordado pelo livro enfoca o momento vivivo pelo Estados Unidos da América e também do resto do mundo capitalista. A idéia que prevalecia sobre a sociedade americana era a possibilidade de conseguir "dinheiro fácil" e que o enriquecimento rapido era certo. Era tão certo isso, que quase todos os americanos apostavam todo seu dinheiro na especulação financeira, um hábito que ainda hoje eles mantém, evidentemente com a mudança da economia e com os controles governamentais, num grau muito menor.
Em 1929 foi  ápice de uma grande crise economica que teve inicio em 1920. Conhecida como Quebra da Bolsa de Nova York, ela ocorreu num momento que o mundo ainda estava fragilizado, se recuperando do Primeira Guerra Mundial em 1918. Com o fim da Guerra, Os Estados Unidos obtiveram grandes vantagens no mercado mundial e passaram a exportar grandes quantidades de alimentos e fazer emprestimos de grandes volumes de dinheiro para os Paises da Europa, devastados pela guerra. Com isso a economia americana estava aquecida e o mercado em alta.
Como nada é eterno, os paises europeus foram se recuperando economicamente e diminuiram a importação dos produtos industrializados e agricolas dos americanos. Esta redução teve um grande reflexo, pois a enorme produção agricola dos Estados Unidos nesta epoca, principalmente do trigo, não encontrava comprador no exterior e o consumo interno não era suficiente para absorver as colheitas produzidas. Com isso o poder de compra dos americanos diminuiu, o comércio perdeu forças e as industrias, não tendo pra quem vender, reduziram a produção e demitiram funcionários.
Com este cenário, o mercado entrou em queda e com isso a Bolsa de Valores de Nova York, no dia 24 de outubro de 1929 entrou em colapso e quebrou.
Bancos, industrias, comércios e empresas rurais foram a falência e milhoes ficaram desempregados e deste momento foram relatados muitas historias de vandalismo, assassinatos, suicidios.
O mundo foi afetado com esta Grande Crise, inclusive o Brasil, que vendia café para os Estados Unidos. Com a redução da venda deste produto, o preço do café caiu muito e só não causou um caos maior nos preços, graças a intervenção do governo brasileiro. Mas ai começa outra historia.

Conheçam este livro, vale a pena.

FAHRENHEIT - 11 DE SETEMBRO


O Jornalista e repórter americano, Michael Moore, sentiu a necessidade de investigar o fato, já que havia muita obscuridade nas declarações do presidente George W. Bush. De posse de provas, documentos e depoimentos e raciocínio lógico, produziu o documentário “Fahrenheit 11 de setembro”, apresentando uma visão diacrônica que mostra o envolvimento do presidente dos EUA em relações comerciais com o Bin Laden e, vai mais além, explicando que a “guerra contra o terror” era apenas uma manobra publicitária para expandir seus negócios na área de armamentos e utensílios de uso militar.
 O livro "Fahrenheit" descreve o drama  vivido pelos norte-americanos, que começa pouco antes das eleições para presidente. De forma milagrosa, George W. Bush, governador da Carolina do Norte, com alto índice de recusa por parte de seus eleitores, sai do segundo lugar na preferência do eleitorado e se destaca na reta final da campanha. Usando o poder de influência de seu pai, George Bush, que recebera dos príncipes árabes a quantia de um bilhão e quatrocentos milhões de dólares, para financiar negócios da família, o presidenciável injetou dinheiro na campanha e, comprando a mídia eletrônica em todo o país, induziu o colégio eleitoral a votar nele, como melhor opção.
Após a posse o presidente Bush foi passear com sua família, passando maior parte dos seus primeiros oito meses de mandato de férias, pescando, caçando e dando entrevistas, alegando que a segurança americana estava indo “de vento em popa”, motivo pelo qual as famílias estadunidenses poderiam ficar tranquilas enquanto ele se divertia. Depois de cortar as verbas dos setores de segurança nacional, George W. Bush ignorou o alerta dado pela CIA, a polícia federal americana, que descobriu que Osama Bin Laden planejava atacar os Estados Unidos e havia infiltrado muçulmanos em cursos de aviação civil. No dia 10 de setembro de 2001 Bush viajou para o estado da Carolina, onde planejava fazer campanha, para aumentar os índices de aceitação perante o povo. Ele começou a visitar escolas.
No dia 11 o presidente americano estava discursando numa escola, quando recebeu o telefonema alertando que a primeira torre do World Trade Center havia sido atingida. O chefe de estado não mencionou palavra alguma e, após novos ataques, que derrubaram a segunda torre e destroçaram o Pentágono, símbolo do poder bélico norte-americano, o presidente continuou imóvel, sem nada dizer.
Enquanto Nova Iorque pedia socorro ao mundo, Bush mal sabia o que fazer, principalmente porque não poderia saber se algum dos seus amigos árabes, incluindo a família Osama haviam o traído. A Força Aérea americana bloqueou o espaço aéreo, obrigando até o ex-presidente George Bush, pai do chefe de governo e de estado a viajar de carro, mas os mais de vinte familiares da família do maior terrorista do mundo foi retirada de jatinho às pressas dos EUA, furando o bloqueio das forças armadas por ordem direta da Casa Branca.
A resposta presidencial aos ataques terroristas foi que Osama Bin Laden iria pagar pelo que fez e nenhum terrorista ou presidente que o apoiasse ficaria ileso. As forças aliadas da OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, resolveram se unir aos americanos, e como resposta aos terroristas, acusaram os iraquianos, que nunca sequer ameaçaram um americano, de estarem produzindo armas de destruição em massa e bombas nucleares, além de abrigar o terrorista mais procurado do mundo. Iniciados os ataques ao Iraque e Afeganistão, dois dos maiores produtores de petróleo do planeta, seus presidentes foram capturados e o seu poder reduzido a cinzas.
Uma boa sugestão de leitura.

Vale a pena!

Recomendo a todos

ROBERTO MARINHO


Hoje, quando ligamos a televisão, quase que automaticamente damos uma olhada na Rede Globo. Creio que acontece com quase todas as televisões do Brasil. Mas como a Rede Globo chegou ao que é hoje. Esta é uma longa historia, que o livro Roberto Marinho  tem a proposta de mostrar. Escrito pelo jornalista Pedro Bial, o leitor vai conhecer a vida  de um dos homens mais poderosos e influentes do país no século 20, proprietário do maior conglomerado de comunicação do Brasil e um dos maiores do mundo, as Organizações Globo.
Filho do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e Francisca Pisani Barros, Roberto Pisani Marinho nasceu no Rio de Janeiro no dia 3 de dezembro de 1904 e teve mais quatro irmãos, dois homens e duas mulheres. Foi casado por três vezes e teve quatro filhos, todos de seu casamento com sua primeira esposa, Stela Marinho, sendo eles: Roberto Irineu, José Roberto, João Roberto e Paulo Roberto.
Com seu gênio empreendedor, em sete décadas de trabalho, investiu nas mídias de rádio, televisão, jornal, editora, produção de cinema, vídeo, internet e distribuição de sinal de TV paga e de dados. Suas empresas atravessaram a virada do século 21 com mais de 15 mil funcionários e faturamento de aproximadamente US$ 2 bilhões, tornando-o um dos homens mais ricos do mundo.
Roberto Marinho estudou na Escola Profissional Sousa Aguiar e nos Colégios Anglo-Brasileiro, Paula Freitas e Aldridge. Sempre teve  sua vida sempre ligada ao jornalismo. Em 1911, seu pai fundou o jornal A Noite, o primeiro vespertino moderno do Rio de Janeiro, que logo conquistou a liderança de vendas entre os jornais da então Capital do Brasil.
O livro conta que Irineu Marinho vendeu o jornal “A Noite” e  fundou o jornal  ‘O GLOBO’ dando inicio ali a história da Rede Globo. Nessa época, Roberto Marinho, agora com 20 anos, foi trabalhar com o pai, atuando como repórter e secretário particular. Infelizmente, uma tragédia se abateu sobre Roberto Marinho, pois  21 dias depois do lançamento do jornal, o seu pai, Irineu Marinho morreu de infarto enquanto tomava banho em sua casa.
Apesar da pressão da família para assumir a direção do”O Globo”, Roberto Marinho preferiu deixar o comando da empresa nas mãos do jornalista Euclydes de Matos, amigo de confiança de seu pai. Enquanto isso continuou trabalhando como copidesque, redator chefe, secretário e diretor.Assumiu a direção do jornal somente em  1931, com a morte de Euclydes de Matos.
Roberto Marinho começou a administrar “O Globo” sem modificações, mantendo a mesma gestão do seu antecessor, mas a partir de 1944, ele decidiu investir para expandir sua empresa e comprou uma rádio transmissora e lançou a Radio Globo, a  primeira emissora que marcou o início da formação do seu conglomerado de mídia. Mas o melhor ainda estava por vir, em 1955, onze anos depois da inauguração da Rádio Globo, Roberto Marinho ganhou a permissão de instalar seu canal de TV.
Roberto Marinho tinha 60 anos quando teve o início das transmissões em 1965 com o Canal 4 do Rio de Janeiro. No ano seguinte, o empresário adquiriu em São Paulo a TV Paulista, Canal 5. Era os primeiros passos para o que hoje é uma das maiores empresas  de televisão do mundo, reunindo mais de 113 emissoras entre Geradoras e Afiliadas.
Como diz o ditado que por trás de toda fortuna sempre existe algum fato obscuro, isto trouxe a ele também pessoas não eram o podia-se chamar de amigos, entre eles Assis Chateaubriand, Samuel Wainer, Carlos Lacerda, Leonel Brizola e outros que a historia esqueceu tudo por conta de suas  relações com o Governo do Brasil. Ele era acusado muitas vezes  trabalhar pró-governo, principalmente durante a  Ditadura Militar. Coincidência ou não foi quando suas empresas mais cresceram.
Roberto Marinho se afastou do comando das Organizações Globo em 1998 e dividiu com seus filhos a direção da empresa: Roberto Irineu ficou com supervisão da Rede Globo de Televisão; João Roberto ficou responsável pelo Jornal “O Globo” e José Roberto, todo o sistema de rádio.
O jornalista Roberto Marinho morreu no dia 6 de agosto de 2003, com 98 anos, vitima de enfisema pulmonar, originado por uma trombose.

Um livro impecável.

Recomendo a todos.

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